Linn da Quabrada faz show de despedida da turnê PAJUBÁ

Por Ítalo Damasceno, colaborador do JUNTA5

Linn da Quebrada traz pela primeira vez a Teresina o show PAJUBÁ dentro da quinta edição do JUNTA – Festival Internacional de Dança. Com tema “Político-Real-Virtual”, a artista é uma bela síntese do que o festival pretende discutir.

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Em primeiro lugar gostaria de agradecer à produção do Junta que possibilitou meu papo com a Linn, juntamente com a Sentidos Produções. Muito obrigado de coração.

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O show Pajubá, que está em turnê de despedida, acontecerá dia 16/11, sábado, na Biblioteca Cromwell de Carvalho, às 22h. A abertura será de Bebel Frota. Os ingressos já estão à venda (aqui).

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Atualmente, Linn é a artista de trabalho mais potente que eu conheço no Brasil. Não estou falando de artista LGBT. É artista ponto. E inclui homens, mulheres ou qualquer outro gênero (determinado ou indeterminado). Linn é a pessoa que se fez e a artista que faz. 

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Se você nunca teve a curiosidade de ler suas letras no papel, sua poesia têm construções de rimas e material lírico que não deixam a dever a nenhum grande nome da literatura poética. Combinada com a música, seu ritmo, ela tanto serve para dançar, quanto simplesmente sentar e apreciar enquanto suas palavras e provocações penetram nossos ouvidos.

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Com sua parceira desde o começo, Jup do Bairro, elas criam a partir das suas vivências, das vivências das mulheres nos bairros, e as ameaças a que estão sujeitas as pessoas na posição mais baixa da cadeia alimentar da sociedade: negros, negras, trans, travestis, bixas. A Bixa Travesty.  

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Bixa travesty é o termo cunhado por Linn para se definir. Mais que uma definição, Linn o criou para si e só para ela, que não é mulher suficiente para elas, nem masculina que satisfaça eles. Acabou sendo o título do documentário sobre sua pessoa, com direção de Kiko Goifman e Claudia Priscila.

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Linn é também uma figura pública que tem se colocado com lucidez e consciência sobre o significado de seu corpo e como ele faz parte da sua arte. Qualquer entrevista sua é uma aula sobre a crise do gênero, da sexualidade e individualidade, deixando claro que ela, Linn da Quebrada, não é a crise. Quem entra em crise são as estruturas; Linn e suas parceiras são pessoas. E pessoas simplesmente existem. 

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Suas falas são fruto de quem passou por muita coisa e também de quem estudou bastante. São esclarecedoras e acolhedoras. São carregadas de uma atenção para que sua experiência não signifique a exclusão da experiência de outrem. Ao mesmo tempo, aos que pões em risco sua existência, seja de que forma for, as falas de Linn soam como ameaça: vocês já tentaram me fazer sumir muitas vezes e de diversas formas, mas eu continuo aqui. Este é o terror de vocês! Esta versatilidade das suas palavras me lembram a frase de Paul Valéry na entrada do Louvre “Depende daquele que passa que eu seja túmulo ou tesouro. Isso só depende de você. Amigo, não entre aqui sem desejo.” Vai depender de você o significado do trabalho da poeta, se será pra te confortar ou incomodar.

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A quantidade de documentários com sua participação ou diretamente sobre ela é a prova que tem muito a dizer. Tanto que ela já passou de objeto observado a provocadora que empunha a lupa sobre convidadxs, com seu talk show TransMissão, apresentado junto com Jup do Bairro, no Canal Brasil.

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Ela vem rompendo os limites dos campos artísticos e se fazendo presente em muitos meios. Nem todo mundo sabe, mas ela também tem formação interpretativa, por isso foi natural que começasse a participar de filmes, geralmente interpretando travestis e trans. Agora ela está na série Segunda Chamada, da rede Globo, talvez a maior vitrine para estar em contato com o grande público. Mas a expressão “grande”aqui só se refere mesmo a diverso, pois, em relação a tamanho, não há dúvidas que seu público é imenso. 

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Em seu mais recente lançamento, a vídeo-arte Oração, Linn tem a mais pretensiosa de todas as suas obras. Ela não só compôs a letra como foi responsável pelo roteiro e direção criativa do clip. Nele, ela agrupou num fervoroso culto as bixas pretas travestys num clamor a Deus (seja Ele qual for o seu) pelas nossas vidas. Elas dizem em alto e bom som: Deus não ama quem nos mata.

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Para desenvolver este texto, o pessoal do Junta conseguiu que eu conversasse com a Linn por telefone, antes dela vir a Teresina. Da nossa conversa, iria sair apenas ele, mas, do que Linn fala, nada pode ser perdido. Então, decidimos que na quarta-feira vai ser publicado aqui no LGBT Color integralmente minha conversa com ela. Vocês não perdem por esperar. 

Fonte: LGBT Color

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